A gestão da saúde mental no trabalho enfrenta frequentemente um obstáculo semântico que pode comprometer a eficácia das ações preventivas: a confusão entre Fator de Risco Psicossocial e Risco Psicossocial.
Embora esses termos sejam utilizados muitas vezes como sinônimos no cotidiano corporativo, a distinção técnica entre eles é o que separa uma atuação meramente reativa de uma estratégia assertiva por parte do RH e do SESMT. Compreender que um representa o “gatilho” e o outro a “probabilidade de dano” é o primeiro passo para estruturar programas de saúde ocupacional sólidos.
A Dinâmica de Causa e Efeito
A maneira mais simples de assimilar a diferença é pensar na relação de causalidade. O fator de risco é a condição de trabalho existente (a causa), enquanto o risco é a possibilidade de o funcionário adoecer em decorrência dessa condição (o efeito).
1. Fator de Risco Psicossocial (A Causa/Perigo)
Os fatores de risco são as condições objetivas presentes na organização e no desenho das tarefas que possuem o potencial de gerar danos à saúde do trabalhador. Eles não são o adoecimento em si, mas a fonte do problema.
Definição: São aspectos da conceção, gestão e organização do trabalho, bem como os seus contextos sociais e ambientais, que têm o potencial de causar danos psicológicos, sociais ou físicos (Neto, 2015);
Exemplos práticos: Sobrecarga de tarefas, prazos inexequíveis, falta de autonomia na tomada de decisão, liderança agressiva, comunicação deficiente ou ambiguidade de papéis.
2. Risco Psicossocial (O Efeito/Probabilidade)
O risco refere-se à chance estatística ou probabilidade de a saúde do trabalhador ser efetivamente prejudicada pela exposição aos fatores mencionados acima.
Definição: É a probabilidade de ocorrerem efeitos negativos para a saúde mental e física gerados pelas condições de emprego e fatores organizacionais que interagem com o funcionamento mental e o bem-estar (Neto, 2015).
Perspectiva Técnica: Na literatura e na prática, o termo “risco” é frequentemente usado para designar o próprio adoecimento ou a iminência de sua ocorrência, manifestando-se em quadros como estresse ocupacional severo e Síndrome de Burnout (Rodrigues, Faiad e Facas, 2020).
Quadro Comparativo: Causa vs. Probabilidade
Para facilitar a identificação desses elementos no dia a dia da empresa, observe a distinção no quadro abaixo:
Por que sua empresa deve separar esses conceitos?
De acordo com Rodrigues, Faiad e Facas (2020), a distinção clara é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de avaliação e intervenção.
- Quando você foca no Risco, você está olhando para o trabalhador que já pode estar sofrendo.
- Quando você foca nos Fatores de Risco, você está olhando para a raiz do problema (a organização do trabalho) e agindo preventivamente antes que o adoecimento ocorra.
Essa distinção é o alicerce para um PGR robusto e conforme a NR-1. Para intervir com assertividade, troque a intuição por dados científicos usando a Ferramenta COPSOQ II da Amigo da Prevenção.
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